segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O que acontece depois do primeiro passo?


Sobre alimentação saudável, atividades físicas e um pouco mais...

Não sei muito bem com quem estou falando neste momento, pois como deve ter dado para perceber pelo conteúdo do blog, não sou muito boa em manter uma rotina. Pouco mais de um ano depois de reativar esse blog - há muito tempo jogado às traças - larguei de lado outra vez.
Também não venho prometer uma grande frequência de postagens, mas vou tentar.


O que ocorre é que eu tenho uma dificuldade imensa em dar continuidade às coisas que começo, principalmente quando a única interessada/envolvida no assunto sou eu mesma. Se não tiver alguém pra me cobrar o resultado e vou deixando de lado até esquecer, por isso resolvi trazer meu novo desafio pessoal pra cá e compartilhar o diário da minha reeducação alimentar.

Já alerto que essa postagem ficou meio gigante, porque tem quase uma semana de dicas aqui. Mas assim que eu conseguir manter uma frequência, faço postagens diárias menores.

Antes de qualquer coisa, quero avisar que não sou nutricionista, nem educadora física, nem nada. Sou apenas uma pessoa acima do peso que resolveu tomar uma atitude, começar a se alimentar direito e mexer o corpitcho para uma vida mais saudável.

Reeducação alimentar não é dieta e não promove emagrecimento rápido. Me desculpe te frustrar, mas precisava te contar que não tem fórmula mágica nos próximos parágrafos. A reeducação alimentar te permite comer de tudo, mas de uma forma correta, sem ter que recorrer a remédios para emagrecer.

Mais um ponto importante: eu estou um pouco acima do peso, com os exames todos em dia, fazendo acompanhamento médico regularmente, tudo certinho. Meu último exame de sangue apontou uma taxa um pouco alta no colesterol, o que o médico me aconselhou a corrigir com alimentação equilibrada. Estou explicando isso porque é muito importante que nenhuma mudança na alimentação ou hábitos seja feita por conta própria, sem o conhecimento do seu médico e sem ter certeza de que não vai atrapalhar a sua saúde. Como disse antes, meu objetivo aqui - além de tentar eliminar uma barriguinha atrevida - é garantir minha saúde.


Esclarecimentos feitos, vamos lá...

O alerta surgiu quando precisei colocar biquíni para ir a um clube, no final de outubro. Eu sempre fui beeem magrinha. Para ter uma ideia, aos 22 anos eu pesava 43kg. Porém, o tempo passou, e cheguei aos 34 pesando quase 64kg, com 1,62m de altura. Pouco mais de um ano atrás meu peso não chegava a 60kg, o que já era para ter me alertado há bastante tempo, né? Até que eu fui colocar o biquíni para ir ao clube e ele ficou apertado. Coloquei outro (vai que aquele encolheu na lavagem, né?) e apertado mais uma vez. Fui com o biquíni apertado mesmo e voltei quase sem conseguir andar direito, porque o elástico machucou de verdade. 
Seria cômico, se não fosse trágico.

Ainda fiquei mais de uma semana pensando e tentando entender o que estava acontecendo (leia-se "em choque"), até que decidi dar o primeiro passo. Pesquisei milhões de coisas e acabei decidindo que ia buscar alternativas saudáveis para substituir tudo o que eu já comia durante o dia.


Minha situação atual é a seguinte:

1. Eu deveria pesar cerca de 56kg, mas como já tive esse peso acredito que uns 58kg seja uma boa meta;
2. Tenho Tireoidite de Hashimoto, que é uma doença autoimune, onde os próprios anticorpos atacam as células da tireóide e, em consequência disso, tenho Hipotireoidismo.Tomando a medicação direitinho, como tenho feito há mais de 8 anos, é uma doença com a qual dá para conviver, mas o sintoma que eu mais temia era exatamente o ganho de peso, e ele chegou. Se quiser saber mais, Dr. Drauzio Varella explica aqui.
3. Sou TO-TAL-MEN-TE sedentária. Até fui praticante de corrida um tempo atrás, mas um problema nos joelhos me fez parar de correr, o que na verdade é pura preguiça mesmo porque era só eu ter feito a fisioterapia e tomado a medicação prescrita pelo ortopedista, mas esse é assunto pra outro post.


E então, comecei assim:

*** Eu não me pesei antes de começar, até porque foi bem no estilo "é agora ou nunca", mas na minha última pesagem dois meses antes, me lembro do pavor que senti ao ver a balança marcar 63,8kg.***

Todas as receitas das comidas que vou citar aqui, bem como os vídeos de exercícios, coloco lá no fim do post.

1º dia - fiz uma sopa detox delícia: Era uma quarta-feira a noite, e fiz uma receita que dava para 4 porções.
Eu não me lembro muito bem onde vi essa receita, mas ela dizia que se a sopa for consumida durante dois dias, apenas no jantar, você pode emagrecer 1kg. Se consumida durante dois dias, no almoço e no jantar, pode ajudar a perder 2kg.
A receita eu coloco lá no final, mas lembra que eu falei que é importante fazer tudo direitinho e que não adianta perder peso rápido? Então, nada de ficar multiplicando aí na sua cabeça e resolver tomar sopa a semana inteira pra agilizar o processo.
Porque eu mereço um puxão de orelhas? como estava muito acostumada a comer besteiras, antes de tomar essa sopa eu comi um pacote de salgadinho que comprei no supermercado quando fui comprar os ingredientes.

2º dia: tomei um suco verde no café de manhã, com uma tapioca recheada com requeijão e uma fatia de queijo branco.
Cheguei no trabalho às 8h30 e tomei meia xícara de café. Ah, ponto pra mim! Já tomo café sem adoçar há quase dois anos.

No almoço, salada de alface, tomate e ovo cozido, e a sopa que eu tinha feito no dia anterior.
De sobremesa, duas fatias de abacaxi geladinhas.
Por volta das 16h, uma banana.

Mais no finalzinho do dia, por volta das 18h, me deu uma fominha de novo. Eu acho que é normal, porque é tudo muito novo ainda. Então comi uma ameixa e fui pra casa.
Jantei a sopa e um tabule de Quinua.

Porque eu mereço um puxão de orelhas? meu noivo e eu gostamos de tomar uma cerveja no final do dia. Fazemos isso pelo menos às quintas e sextas, umas duas ou três latinhas pra cada. E nesse dia não foi diferente. O problema é que junto com a cerveja devoramos meio pacote de amendoim temperado. Ou seja, me sabotei mais uma vez. :(

3º dia - sexta-feira: aqui eu acordei jurando que faria uma série de exercícios de um personal que eu vi no youtube. IMPORTANTE: eu pesquisei uma infinidade de exercícios e escolhi um semelhante ao que eu já tinha feito anteriormente, com orientação de personal de de fisioterapeuta.
Pois bem, levantei da cama, estendi o tapetinho e E.V.A. no chão, alonguei e aqueci.
Sei lá por qual motivo eu resolvi começar fazendo a prancha que ele ensina no vídeo. Consegui fica na posição por incríveis 5 segundos. Caí e dormi de novo, ali no tapetinho, por quase meia hora. Acordei assustada com a hora e fui tomar banho e me arrumar para o trabalho.
Suco verde no café da manhã, com uma tapioca recheada com requeijão e uma fatia de queijo branco e um punhado de goji berry.
No lanche de manhã, por volta das 11h, duas bolachas de água e sal e uma ameixa.

No almoço, a sopa (4ª porção) e o tabule de Quinua.
Lanche da tarde: banana picada com aveia.
Jantar: homus com pão sírio.

4º dia - sábado: final de semana é sempre complicado. Acordei, tomei um café puro e uma fatia de pão de milho. Esse hábito do pão precisa sair de mim.Fui à feira e comprei frutas, legumes, coisas saudáveis para a semana.
Passei com o noivo na casa da sogra e estava rolando uma mega preparação de um almoço com panquecas. :S

Almocei uma panqueca de carne moída e 1/2 de queijo e presunto que roubei do prato da cunhada + uma colher de arroz e um pouquinho de feijão.
Por volta das 17h, comi pipoca. Pode me julgar. Mas segundo estudos recentes, a pipoca preparada na panela, com pouco óleo e sal, até faz bem para a saúde mas, enfim, vou admitir que errei aqui.
Jantar na casa de amigos, para comemorar um aniversário: levei homus e kibe assado, mas também comi a pizza que tinha lá. E bebi cerveja.


5º dia - domingo: café sem açúcar + duas fatias de pão de milho com queijo branco mo café da manhã.
Almoço de domingo nunca dá para ser light, mas eu poderia ter me esforçado mais, já que tinha abusado e muito no sábado. Fiz canelone de abobrinha, porque tinha visto uma receita e estava doida para experimentar.
Dei uma bela cochilada depois do almoço.
Tomei um copo de suco de chia, por volta das 16h.
Lá pelas 20h, comi uns pedaços de pão sírio com homus que ainda tinha.
Estava tudo bem, até que o noivo lembrou que tinha comprado pão australiano e geleia de pimenta, que eu amo.
Comi 4 fatias pequenas do pão com geleia e uma taça de vinho.

Pelo domingo, eu merecia puxões em 20 orelhas, se eu tivesse.
Maaaaas, consegui fazer toda a série de exercícios logo que acordei. Ponto pra mim!
Comecei com esse alongamento.

Depois fiz esse treino de queima de gordura para pessoas sedentárias.
E encerrei com essa técnica de um médico japonês muito louco.
A noite, antes de dormir, repeti a técnica de 5 minutos do japa.


Hoje é segunda-feira, 6º dia da minha nova vida.
Não fiz os treinos hoje de manhã porque estava com o corpo um pouco dolorido. Acho que, por ser muito sedentária, é normal e é melhor ir aos poucos.
Eu sei que fiz muita coisa errada nos primeiros 5 dias, mas foi justamente por isso que eu resolvi resgatar o blog e começar esse diário.
Vou continuar pesquisando, cuidando da alimentação, e contando as descobertas aqui. 
No final, pode sair algum resultado bem bacana.

Meu peso, hoje de manhã: 63,1kg.
E contando...

Ah, as receitas!


Sopa Detox de Inhame:

Ingredientes:
2 inhames descascados
1 cenoura
1 tomate
1 abobrinha
1 xícara de couve picada
1 pedaço pequeno de gengibre (mais ou menos do tamanho de uma azeitona)

Modo de preparo:
Coloque todos os ingredientes picados numa panela de pressão e cubra com água até o nível de dois dedos acima.
Depois que pegar pressão, cozinhe por 20 minutos.
Espere sair a pressão, abra a panela e deixe esfriar um pouco para bater no liquidificador sem trincar o copo.
Refogue alho e cebola e pouquinho azeite e acrescente a sopa batida no liquidificador. Experimente e ajuste o sal.

A cenoura deixa a sopa um pouco adocicada. Como eu gosto de pimenta, e ela tem efeito termogênico, coloquei uma quantidade que deu uma balanceada nesse sabor adocicado.


Suco Detox:

Ingredientes:
Suco de duas laranjas
Suco de um limão
Uma maçã picada
Um pedaço de gengibre pequeno, ralado
Um punhado de couve
Uma colher de farinha de linhaça
200ml de água

Modo de preparo:
Bata tudo no liquidificador, coe, e beba.
Se referir, coloque duas pedras de gelo.



Tabule de Quinua:

Ingredientes:
1 xícara de chá de Quinua em grãos
Pepino japonês
1 tomate comum ou 8 tomates uva
1/2 xícara de folhas de hortelã
2 colheres de azeite
1 limão
Sal a gosto. Eu uso o Sal do Himalaia

Modo de preparo:
Coloque uma xícara de Quinua de molho por 4 horas.
Escorra a água e coloque em uma panela cobrindo com uma nova água até o nível de um dedo acima da quantidade de Quinua.
Deixe cozinhar como arroz, até secar a água, tomando cuidado para não queimar.
Espere esfriar.
Junte meio pepino japonês, tomate (se for o tomate comum, tirar a semente) e hortelã, tudo bem picadinho.
Tempere com o limão espremido, o azeite e um pouquinho de sal.
Misture bem.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Descobertas




Ela nunca gostou de dormir de conchinha. Mas descobriu a linha tênue que separa o cuidado do sufocamento, e agora ela ama.

Sempre achou exageradas as fotos e declarações de casais em redes sociais, como se fossem dependentes um do outro para tudo. E ela odeia dependência. Mas descobriu que, na verdade, acha fofo. Descobriu que, no fundo, sentia certa inveja desses casais que exibiam uma felicidade que ela tanto queria pra si.

Ela dizia que não queria se casar. Mas outro dia parou pra pensar que já quis, e muito. Mas abafou o desejo por julgar que nunca encontraria alguém que quisesse também. Ela não gosta de sofrer, e achou melhor cortar as expectativas.

Ela ama declarações, frases encaixadinhas na hora exata, palavras perfeitas ao final de um silêncio de olhos nos olhos. Mas nem sabia que isso ainda existia.

Ela descobriu que não dói nada dividir o espacinho no banheiro com outra toalha ou escova de dentes. Foi além, abriu caminho, e descobriu que certas divisões multiplicam.

E de tanto descobrir, não vai parar mais.

Vai aprender a dividir o cobertor, o travesseiro, a vida, se preciso for.


Vai abrir espaços nas gavetas que trancou (as do armário, e do coração), porque sabe que, no fundo, nunca desistiu do amor. Só está esperando o cara certo. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Por que as pessoas se casam?

Vovó dizia que não queria se casar. Eu nunca entendi muito bem essa história – confesso que nunca tive talento para questionar, minha curiosidade sempre foi mais investigativa que questionadora, e investigações sempre são dificultadas pela minha preguiça – mas ela que, quando se deu conta, estava casada.

Minha avó teve sete filhos. Separou-se do meu avô bem antes de eu nascer, e contava como foi difícil criar minha mãe e os seis irmãos. Ela falava pouco, mas quando o assunto era casamento, não poupava palavras. Eu sempre a ouvia contar como seu casamento havia sido terrível, como meu a avô a havia deixado sozinha com toda a responsabilidade da casa e dos filhos, e por que eu não deveria me casar.

Um a um, minha avó enumerava os problemas de seu casamento: “ele não me ajudava com as despesas da casa”, “não ajudava a educar as crianças”, “era muito violento com os filhos”, “eu tinha que fazer tudo sozinha”. Não importava quantos problemas ela nos contasse, eles sempre eram de ordem material. Eu nunca a ouvi dizer que sentia falta de carinho, companhia e atenção. Do ponto de vista dela, casamento era uma união para as pessoas dividirem problemas.

Minha mãe também tem umas “considerações” nada simpáticas sobre o casamento. Ela e meu pai ainda vivem juntos – sobrevivem, eu diria – mas eu me lembro de ter presenciado muitos momentos românticos durante minha infância. Então eu sei que se casaram por escolha e, a seu modo, foram felizes. Mas quando ela fala sobre ele, sempre vejo os traços da minha avó. Minha mãe sempre reclama que meu pai não a leva para sair, não troca o botijão de gás quando, não conserta o vazamento da torneira, não dá um jeito nas infiltrações das paredes... e sempre completa com: “Não casem, meninas! Não sei porque eu casei.”

Apesar de tudo, fui uma adolescente muito romântica e sonhadora. Achava que quando encontrasse o homem da minha vida uma luz branca nos iluminaria como nos filmes e seríamos felizes para sempre, acordando abraçadinhos de manhã, e planejando juntos cada detalhe do dia. Ou seja, nada do que vovó dizia funcionava comigo. Mas os anos foram passando e me transformei completamente. Ainda sou romântica, mas meu romantismo é puramente reflexo do que recebo. Não sonho mais com uma casinha branca, cheia de flores na janela e cheirinho de café pela manhã. Crio expectativas todos os dias, mas quando anoitece eu penso na probabilidade de que elas se tornem realidade e qualquer avaliação abaixo de 80% me faz desistir. Não é pedir muito. É saber que posso escolher ser feliz.

Passei tantos anos tentando não ser como minha mãe e minha avó, que adotei um padrão de qualidade que tento seguir sempre. Nesse padrão, o cara não tem que atender minhas expectativas, mas tem que demonstrar o quanto está disposto a compartilhar comigo. Compartilhar qualquer coisa que vá além – muito além – do que mamãe e vovó consideravam que seria necessário num casamento. Eu me viro sozinha, me cuido sozinha, vou ao supermercado, conserto vazamentos, instalo chuveiros, monto móveis, troco o botijão de gás, pago minhas contas. Por isso, não procuro alguém complete, e não apenas satisfaça minhas necessidades cotidianas.

Quero alguém que me acompanhe, mas que também me leve pra sair.

Quero um cara que conserte a gaveta quebrada do armário, mas que ache um máximo chegar em casa e ver que consegui fazer isso sozinha porque vi primeiro.

Espero encontrar alguém que entenda que eu também trabalhei o dia todo e vou chegar em casa com fome, mas que valorize a forma como eu consigo dar conta de várias coisas ao mesmo tempo e também tente fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Quero alguém que me convença a ficar na cama até tarde, no sábado, curtindo uma preguiça boa, mas que compartilhe comigo aquela faxina que não pode ficar para depois.

Quero alguém que saiba desorganizar minha vida, e organizar tudo de novo, só pra me mostrar que tudo pode ser lindo mesmo não sendo do jeito que eu faço.

Procuro um homem que me faça sentir que sou mulher, e não uma doméstica atarefada ou uma princesinha delicada.

Quero alguém que some, não que divida comigo.


E se um dia eu tiver que dizer aos meus filhos porque me casei, que seja porque encontrei esse alguém.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Quando você chegar

Venha devagar. Sou sensível.  Me assusto com paixões instantâneas. Não acredito na firmeza daquilo que não tem alicerces.

Me deixe saber que está chegando. Ou que há interesse em chegar.  Não costumo esperar muito por algo que não sei se vem.

Mantenha os pés no chão.  Você vai precisar,  para me puxar de volta.

Respeite meu espaço.  Gosto de dividir minhas coisas,  mas odeio a sensação de vê-las tiradas à força de mim.

Não seja disponível,  apenas acessível.  Me diga não,  quando precisar.
                                                           
Seja claro. Me diga o que sente, ou vou achar que você não sente. E não faça promessas que não tenha a intenção de cumprir.

Me deixe saber que você se importa comigo. Me dê a segurança de que não fui esquecida na correria dos seus dias.

Se sentir que te quero por perto, não me espere chamar.  Venha. Entre. Demonstre que mal consegue me esperar dar a volta na chave para um beijo de tirar o fôlego.  Fique tranquilo, se eu não quiser você vai saber.

Venha.  Simplesmente venha. Fique, se eu pedir (até porque só vou pedir se eu realmente quiser que você fique). Abuse dos momentos em que me encontrar desarmada.  E se imponha para baixar minha guarda, quando achar necessário.

Jogue seus sonhos na mesa. Se eu gostar,  vou juntar os pedaços e te ajudar a realizá-los.

Quando você chegar... Apenas chegue.
Faça acontecer.  Só assim você saberá se quero fazer valer a pena. E - acredite - se eu quiser, garanto que vai valer muito.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sim, eu tenho preconceito

Eu sempre me orgulhei do fato de me considerar uma pessoa totalmente livre de preconceitos. Nunca entendi porque raios as pessoas tem que apresentar pessoas usando nome e pedigree, tipo: "aquele é fulano, ele trabalha comigo e é gay". Ou "tenho uma amiga negra, que é muito linda". 

De verdade, não enxergo diferença nenhuma, e acho uma tremenda de uma baboseira quando as pessoas usam essas denominações para mostrar como são descoladas e convivem com todas as diferenças.
Como se negros, gays, ateus, pobres não fossem gente como a gente, cagando pelo mesmo lugar e destinados ao mesmo buraco sete palmos abaixo da terra quando todo o espetáculo desse circo que chamamos de vida chega ao fim.

Mas tenho andado tão impaciente ultimamente que descobri que não sou tão livre de preconceitos assim. Pelo contrário, descobri que tenho um preconceito enorme com gente burra.
E antes que você pense que não gosto de gente que não teve oportunidade de estudar na vida, que mal sabe ler ou escrever, ou que não tem condições de acesso à educação, saiba que não é desse tipo de gente que estou falando. 

Gente burra é outra coisa.

É gente que prefere passar seu tempo lendo notícia trágica no jornal do dia, ou fofoca nas capas de revista das bancas, que decora todas essas histórias de vida alheia para contar por aí e não se dá nem ao trabalho de prestar atenção no que leu para, no mínimo, saber escrever corretamente.

Gente burra é gente que passa o dia inteiro conectado, vasculhando vidas em redes sociais, avaliando roupas da moda e compartilhando tudo o que encontra por aí, sem ao menos pensar em usar o Google para verificar se as palavras que colocou no comentário estão escritas corretamente.

É gente que convive com tudo quanto é tipo de gente, tem acesso a diferentes formas de se vestir ou se comportar, mas não lhe ocorre a mínima curiosidade de saber o que fica bem e o que não fica para determinada ocasião. E não estou falando de observar e seguir a risca o tal do dress code - até porque ele não ensina o que usar numa mesa de boteco no happy hour no fim da tarde -, mas de demonstrar uma preocupação, mesmo que mínima, com o que o lugar exige. Ou com quem está junto. E olha que eu não estou falando de moda, porque nem entendo nada disso e confesso que até erro muitas vezes. Mas tento sempre demonstrar que me preocupo em ser uma companhia agradável e, sim, a roupa demonstra grande parte disso. Ou alguém aí acha que é agradável ir ao teatro com a camisa do time do coração?

Gente burra é gente que passa dias, meses, anos reclamando da sua profissão, do chefe, do mercado, do salário, mas não levanta o traseiro do lugar para procurar outro emprego.

É gente que acha normal falar alto ao telefone, mascar chiclete de boca aberta, gritar na janela pro outro vizinho ouvir, soltar pum na frente das visitas, buzinar dentro do condomínio (seja a hora que for), arrastar os móveis a noite sem se importar com o vizinho do apartamento de baixo, comer desenfreadamente se importando apenas com a própria fome e não com as outras pessoas.

Burrice é não se importar. É não se preocupar com o outro. É achar que todo mundo tem que te engolir, e pronto.
Gente que não se importa com nada, não presta atenção em nada. E quem não presta atenção não aprende.
Gente que acha que tem ser o que é em qualquer lugar é uma das coisas mais deprimentes que existe. Você pode ser você mesmo e, mesmo assim, ter o mínimo cuidado em se adaptar aos lugares e situações.
Basta se importar. Basta se preocupar em ser uma companhia agradável, uma visita que as pessoas gostem de receber, alguém com quem as pessoas gostem de sair.
Observe, veja como as pessoas agem, ajuste o tom. 
Seja feliz como você sempre foi, mas sem precisar falar alto se perceber que as pessoas ao seu redor não falam.
Sinta-se a vontade com as roupas que gosta de usar. Isso quer dizer que você pode cuidar para não se sentir o patinho feio no meio de todo mundo.
Escreva coisas que as pessoas gostem de ler - e entendam.

Seja lembrado por acertar. Ou, pelo menos, por tentar acertar.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Intimidade é de dois

Afinidade é aquilo que te faz sentir vontade de criar, desenvolver os outros sentimentos.

Intimidade é o que te torna capaz de entender, aceitar e melhorar sempre aquilo que você sente.

Afinidade gera desejo. O desejo te faz ir em frente e fazer aquilo que te deu vontade na hora. Mas é a intimidade que vai te dar segurança para olhar nos olhos depois, sorrir, estar seguro, e querer de novo.

Afinidade te faz sentir saudade, te faz querer parar o mundo, largar tudo, e sair correndo para ficar com a pessoa. Mas é a intimidade que te dá vontade de continuar lá, que te faz ter certeza de que não era só curiosidade, ciúmes, desconfiança... de que era vontade de estar junto mesmo.

Afinidade te aproxima da pessoa. Intimidade te faz ter vontade de fazer planos com ela, de pensar junto, de transformar desejos individuais em um só.

Afinidade te ajuda a lembrar de nomes de pessoas que poderiam estar com você em determinado momento. Intimidade te faz ficar repetindo mentalmente o nome de uma pessoa e conseguir criar formas de encaixá-la em todos os momentos da sua vida.


Intimidade é recíproca, não tem como errar. Ou é pros dois, ou não tem.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Tudo novo, de novo!

Até aquele momento, a vontade era voltar no tempo, pedir à minha mãe que me colocasse de volta no berço, ou ao meu pai que me pegasse pela mão e me ensinasse novamente os primeiros passos. Era tudo tão bonito e simples naquela época, até o tempo passar e ir destruindo tudo.

É impressionante como nos deixamos machucar tanto, a ponto de estar num lugar lindo e colorido, mas com o coração tão negro quanto nuvens carregadas em dia de tempestade. E até chegar ali, era assim que eu me sentia.

O carro cortando a estrada, reduzindo em cada curva ou acelerando ao máximo nas retas, só me fazia deixar pra trás essa coisa escura que escorre da dor e do medo. Eu sentia o cheiro da vida se aproximando, e os carros de trás atropelavam as pedras que eu ia tirando de dentro da alma e jogando pra fora da janela.

O tempo passava devagar demais para quem só queria chegar e enterrar na areia toda a podridão que tinha dentro do peito. Enfim, cheguei. Encontrei a praia mais distante, com o mar mais profundo e joguei tudo lá. 

Fiquei olhando atentamente, até ter certeza de que aquele barril de pólvora havia afundado e nunca mais poderia explodir e machucar ninguém, nem a mim.

A última bolha sumiu. E os fogos acenderam no céu.

Feliz Ano Novo!