quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pode dar o primeiro passo duas vezes?

Claro que pode!


Como eu já havia comentando nesse post aqui, não sou muito boa em dar continuidade às coisas que começo, se não tiver alguém me cobrando. Então, a minha super motivação do final do ano para emagrecer passou rapidinho.

Na verdade, naquela época (meados de novembro), tinha rolado uma aposta entre meus irmãos e cunhados para ver quem conseguiria perder mais peso proporcional – e com saúde! – até o Natal. Poucos dias depois ninguém mais estava se empenhando na aposta e minha motivação foi por água abaixo.

Logo depois, final de dezembro, passei uns dias na praia. Percebi que sobrevivi andando com minha barriguinha nada saudável por aí e fingi que estava tudo bem. Só que não, né? Barriga saliente não é feio, feio é saber que a gordura abdominal é perigosíssima e não fazer nada pra resolver o problema.

Com uma vida extremamente corrida, acordando às 6h30 e trabalhando 15 horas por dia em dois empregos, eu achei que tinha desculpa para não fazer nada para me cuidar. Achei também que roupinhas bonitinhas e maquiagem bem feita resolveriam tudo, só esqueci que aparência e saúde são coisas completamente diferentes.

Até que no início dessa semana, numa consulta de rotina à ginecologista, a luz do alerta máximo se acendeu: durante a realização dos exames em consultório, ela fez um alerta sobre a minha barriga. Disse que eu precisava parar de comer doces (que nem curto, na verdade) e massas (isso eu tenho comido bastante mesmo), porque minha barriga estava bem gordinha.

Mas essa mulher é ginecologista, deveria examinar por dentro e não por fora! – pensei, na hora. 

Seria cômico, se não fosse trágico: pesquisas afirmam que o acúmulo de gordura abdominal aumenta o risco de morte súbita. Ao mesmo tempo, a minha idade (34 anos) está na faixa de maior risco de complicações por doenças cardiovasculares. Isso sem contar que tenho histórico de AVC, pressão alta, problemas circulatórios e diabetes na família, tenho hipotireoidismo, sou ex fumante, tenho enxaqueca e faço uso contínuo de anticoncepcional. Olha a bomba!

Por esse motivo, saí do consultório da ginecologista em estado de choque na segunda-feira, fiz pesquisas na terça, me matriculei na academia na quarta e comecei hoje meu primeiro treino.

Final de mês, sim.
Quinta-feira, sim.

Porque sim!


sexta-feira, 13 de maio de 2016

RELATO NÃO DEPRESSIVO DE UMA PESSOA DEPRESSIVA



Acho engraçado, mesmo sendo trágico, o modo como as pessoas tem facilidade de se informar sobre qualquer assunto nos dias atuais, graças às facilidades da tecnologia, mas só fazem isso quando querem. São tantos “especialistas formados na universidade do Google” em política, medicina, receitas milagrosas para emagrecimento (essas são as campeãs de diplomas!), tutoriais de maquiagem, informática, entre tantos outros assuntos que habitam as redes sociais e os mais diversos canais de comunicação. Mas é incrível como as pessoas escrevem errado e escrevem besteira. Mais incrível ainda, é a forma como conservam pré-julgamentos arcaicos e banais sobre determinados assuntos, sem ao menos se dar ao trabalho de procurar informação SÉRIAS a respeito.

Sofro de depressão há muitos anos, mas tenho aprendido a lidar com ela a cada crise. O que eu ainda não aprendi é a me acostumar com as pessoas que não entendem depressão, achando que é frescura ou coisa de gente fraca. E também com os que acham que tem cura. Uma busca rápida me trouxe a página do Dr. Drauzio Varella, um dos médicos oncologistas mais respeitados do país, em menos de dois segundos, onde encontrei a seguinte definição: “Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite”. Não é o mesmo que ficar triste, porque alguma coisa aconteceu diferente daquilo que esperamos, é uma DOENÇA INCAPACITANTE, que atinge cerca de 350 MILHÕES DE PESSOAS no mundo, em diversas intensidades.

Minha primeira crise, a partir de quando eu me lembro, aconteceu na escola, lá pelos 12 anos. Eu era uma menina tímida, pobre, e tinha vergonha dessa condição. Usava roupas e tênis uns dois números a mais, herdados das primas e amigas das primas. Naquela época eu não participava das festinhas e reuniões das crianças da minha idade, porque nunca tinha roupa pra ir. Pra ter uma ideia, nem shampoo pra lavar o cabelo eu tinha, minha mãe comprava o mais barato de todos e misturava com água pra render pra todo mundo, então o cabelo ficava horrível, sem contar que não podíamos nem tomar banho todos os dias, pra não pesar nas contas de água e luz. Além disso, eu tinha muita preguiça, então um dia uma colega da escola gritou, lá do fundo da sala: “Nossa! Você não escova os dentes? Daqui do fundo eu estou sentindo o bafo!” Foi o que bastou pra eu sentir uma corrente elétrica percorrer o corpo, as pernas bambas, e tudo desaparecer ao meu redor. Eu não desmaiei, mas queria ter morrido, só conseguia me perguntar onde estava o maldito buraco no chão pra poder me enfiar e sumir da vista de todos. Passei muito tempo tentando fugir da escola. Tive a ideia de inventar dores, mas a depressão tem o poder de fazer as dores surgirem de verdade, então eu sempre acordava com dor de barriga ou dor de cabeça, e usava essa desculpa pra não ter que ir. Não brincava na rua também, usava as plantas de imóveis publicadas nos jornais e ficava brincando de casinha, com os dedos.  Um dia, depois de quase duas semanas, meu pai me forçou a ir pra escola. No caminho, roubei pasta de dente num mercadinho, e passei a carregar na mochila, pra não ficar mais com bafo por usar aquela de casa com gosto de plástico. Vindo de família pobre, porém honesta, e educada fielmente de acordo com os princípios cristãos, esse foi o primeiro sinal de como a depressão é capaz de nos tirar a capacidade de raciocínio lógico, levando muitas pessoas ao suicídio por acharem que é a melhor solução para o problema.

Alguns anos mais tarde, mais uma crise: eu tinha 13 anos e visitava meus avós aos finais de semana. Meus pais me levavam, e as vezes me deixavam dormir lá, em feriados ou férias escolares, e eu não gostava da casa desses avós, sem saber explicar o motivo. Depois de muitos anos passando noites lá, eu não tinha medo, só essa sensação estranha. Até que uma noite, depois que minha avó dormiu, fiquei vendo TV na sala com meu avô. Eu sempre fui diferente das meninas da minha idade, até mesmo pelas condições financeiras, então eu tenho a certeza de que estava vestindo algo muito maior e menos expositivo do que uma blusa de alça e shortinho. De repente, ele colocou a mão na minha coxa e perguntou se eu já tinha beijado na boca. Eu respondi que não, achando que viria alguma bronca ou conselho de avô/homem mais velho da família, e não consegui nem reagir quando ele veio pra cima de mim e me beijou. Até parar para escrever esse texto, eu nunca mais havia me lembrado da sensação daquela língua e daquele gosto nojento salgado de quem ainda não havia escovado os dentes depois do jantar. Meus seios estavam começando a aparecer, e ele enfiou a mão por baixo da minha blusa, me olhou, e perguntou se eu achava que cabia na boca dele. Eu não sabia o que fazer, só sei que tive a mesma reação de quando a menina me criticou pelo bafo, perdi o controle do corpo. Ele me mandou ir para um quartinho que tinha na casa, de onde minha avó não poderia nos ver se abrisse a porta do quarto dela. Ele abaixou a alça da minha blusa e encheu a boca com aquele esboço de seio, que nem justificava o uso de sutiã ainda. Tenho uma vaga lembrança de ele ter abaixado minha calça e ficar olhando, mas não sei afirmar se ele fez mais alguma coisa. Desde então, passei a ter vergonha de ir lá. Como comportamento normal de crianças abusadas, eu achava que a culpa era minha, que eu tinha seduzido de alguma forma, e nunca contei isso a ninguém. Mas também nunca me esqueci de todas as vezes em que eu vomitava quando estava lá, e de quantas noites acordei aterrorizada por aquela lembrança. Minhas dores de cabeça nunca me abandonaram desde então.

Já passei dos 30 anos e sofro de depressão até hoje. Mas por medo das reações que já tive ao longo da vida, e por necessidade de continuar vivendo, tento não dar espaço para as crises aumentarem. Enxergo a depressão como aquele super herói do Quarteto Fantástico feito de pedra, o Coisa: de longe ela até me ajuda a enfrentar a vida, porque vivo prestando atenção para não deixa-la se aproximar, mas quanto mais perto ela chega, mais medo eu tenho de que ela me abrace e me sufoque. Eu sei que com aquela quantidade enorme de pedras, se ela abraçar vai ser para esmagar. Ela não tem sensibilidade, nem piedade.

Alterações de peso, distúrbio de sono, falta de inciativa e de vontade de fazer as coisas, agitação e sensação de que tem que fazer tudo ao mesmo tempo, sensação de cansaço e de que você não tem energia para nada, dificuldade de concentração, problemas com autoestima, alterações de libido... já tive todos esses sintomas. Já tive problemas em relacionamento por falta de libido, já passei horas na frente do computador tentando fazer algum trabalho, fiquei desempregada por dois anos, achando que não servia para nada, sem nem procurar emprego. Só não passei pela fase de tentar suicídio, embora já tenha pensado seriamente que morrer fosse o melhor remédio. Hoje eu não deixo nem os sintomas começarem, e sei que é muito difícil conseguir essa reação.

Eu trabalho, saio com amigos, me divirto sempre que possível. Lutei para me livrar dos remédios, e hoje tenho tanto medo deles quanto da depressão. Quando não quero sair da cama, é o dia em que eu saio mais cedo. Quando não quero ver pessoas, trato logo de vasculhar minha lista de amigos, procurando algum evento ou inventando alguma coisa em casa. Faço festa de boas-vindas do cachorro, chegada da primavera, apresentação do jogo de panelas que comprei para minha cozinha. Como diz Dr. Drauzio, “trancafiar-se num quarto às escuras, sem fazer nada nem falar com ninguém, está longe de ser um bom caminho para superar a crise depressiva”. E eu sei que “o Coisa” é grande demais pra entrar no meu quarto, mas forte demais pra quebrar as paredes se eu não abrir a porta. E se eu estiver sozinha, eu deixo entrar por não ter quem me ajude a me defender.


Ainda tem muita luta. A família acha que não precisa se informar sobre a doença, até porque para ela não é doença, é “frescura”. Os chefes e os clientes também não querem saber. Mas só tenho duas escolhas: OU EU CARREGO A DEPRESSÃO NAS COSTAS, OU ELA ME CARREGA PARA O CHÃO.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Acampar: como é que eu não pensei nisso antes?

 

Quando eu digo que fui acampar no carnaval a maioria das pessoas se espanta, por desconhecer esse tipo de acomodação, achando que só tem banho de água fria, condições precárias e muito bicho. Mas posso garantir que não é nada disso.

Na verdade até tem essa modalidade de camping, um pouco mais natural, que é praticada por aventureiros que gostam de desbravar lugares desertos ou de difícil acesso, mas tem uma outra, que é praticada em lugares preparados, com infraestrutura própria para camping. É dessa que vou falar aqui.

Essa foi a segunda vez que acampei, mas a primeira foi há uns 10 anos, e eu nem me lembrava mais como era bom. Quando meu noivo e eu decidimos acampar - ele já acampou muito por aí - não tínhamos ideia do que viria. Começamos a sondar lá no começo de janeiro, pensando em algum final de semana, ou até mesmo férias, e acabamos definindo o local e a data meio que por força do destino, que foi mostrando um camping próximo, disponível e com preço acessível.

Como sou "amarosa" (uma mistura de amadora com curiosa), fui pesquisar profissionais no assunto e acabei encontrando O Campista. É um site de um cara que nem conheço, mas já curto pacas, chamado Luiz. Ele é de Santos/SP, e diz no site que acampa com a esposa Joana há mais de 40 anos, tempo que tem participação de filhos e agora até netos. Fui pesquisar por lugares próximos à minha cidade, São José dos Campos/SP, e descobri o Canto dos Pássaros, lugar do qual o Luiz fala tão bem no site que ficou difícil eu não ter querer conhecer.

No site O Campista tem milhares de dicas, então quem quiser conhecer esse tipo de viagem pode confiar. Lá eu encontrei uma lista do que levar para acampar, que me ajudou muito. E o mais legal é que ela está disponível para baixar, no formato excel, e eu fui editando e incluindo coisas que não queria esquecer.

Bom, daqui pra frente conto algumas histórias dessa aventura e dou algumas dicas também

Vista panorâmica da área de camping     


Nossa cozinha <3 br="">


INVESTIMENTO


O custo da "hospedagem" em barraca é bem mais baixo do que em quartos e chalés, mas para quem nunca acampou ou não tem os equipamentos, o primeiro investimento fica um pouquinho alto.
Nós já tínhamos uma barraca com capacidade para 04 pessoas (medindo 2 x 2m), um colchão inflável de casal e uma tenda de 3 x 3m. Como nossa barraca não tem a capa que vai em cima e também queríamos um "quintalzinho", a tenda era super importante. Se não tivéssemos essas coisas, teríamos que investir cerca de R$ 300,00 a R$ 400,00 nelas.
Com essa economia, compramos:
_ Fogareiro de duas bocas, com chapa e suporte, incluindo mangueira e registro - R$ 150,00;
_ Botijão de gás de 2kg, incluindo o abastecimento com gás de cozinha - R$ 70,00;
_ Uma mesa de aço (tipo aquelas de bar) já usada - R$ 30,00;
_ Um lampião de led, com 30 leds, recarregável - R$ 60,00;
_ Duas lanternas a pilha - R$ 20,00;
_ Uma caixa térmica grande - R$ 70,00.
De custo para estrutura foi isso. O restante foi com alimentação, que explico mais pra frente.


Nossa barraca era exatamente desse modelo. Se chove, cai água direto nela e acaba infiltrando para a parte de dentro.
Essa é uma barraca que tem uma capa por cima. Ajuda a evitar que molhe por dentro, porque a água não cai direto na lona da barraca, mas sim na capa.


SEGURANÇA


Nosso maior medo, quando pesquisamos o fogareiro, botijão de gás, e lampião foi colocar em risco nossa segurança e das demais pessoas do camping. Por isso é extremamente importante não comprar em qualquer lugar, ver se tem certificação do InMetro e, principalmente, testar tudo em casa para se certificar de que não tem vazamentos ou nada errado.
É sério! Achei cada história triste por conta de acidentes com esses equipamentos, nas minhas pesquisas... Por isso não economize com isso.
Ah, outra coisa! Quando eu digo "cozinhar na barraca" é no sentido figurado, ok? Barraca é única e exclusivamente para dormir. Cozinhar, fazer fogueira, fumar, acender fósforo ou isqueiro são coisas que precisam ser feitas fora dela, mantendo uma distância segura.

PRIVACIDADE


O camping onde ficamos tem cozinha comunitária com fogão, geladeira, microondas, churrasqueira e todos os utensílios, tudo muito limpinho e organizado, mas desde o início nós queríamos aproveitar cada sensação e decidimos investir no fogão e priorizar fazer as coisas na nossa tenda.
Se você quer ter menos trabalho, procure saber se o camping tem essa estrutura. Mas precisa ter paciência também, ok? Imagine um espaço de 6 x 6m, com algumas mesas e cadeiras, duas geladeiras, um fogão, um microondas, poucas panelas... e 11 barracas com pelo menos duas pessoas cada, mais as pessoas hospedadas nas 06 cabanas. Tem que ter uma paciência que eu não descobri em mim ainda...rs.

E OS BICHOS?


Não vou dizer que não tem, porque tem sim. Mas com atenção e cuidado você passa por eles.
Primeira dica: estamos em época de alerta contra o aedes aegypti, então nada de pensar em respirar sem usar repelente. No camping é o tempo todo, reaplicando a cada 3 horas, sem discussão. E espanta mosquitinhos e outros insetos chatinhos também.
Jamais saia da barraca sem olhar para todos os lados antes (por isso compramos a lanterna a pilha), nunca deixe a barraca aberta nem por um segundinho, não ande pelo camping sem a lanterna e procure sempre lugares mais limpos (sem mato alto ou lugares onde os bichos podem se esconder).
Se eu que sou um desastre sobrevivi, todo mundo consegue.

O QUE COMER


Essa foi a parte mais difícil. Nós costumamos comer alimentos leves, comidas frescas sem muita gordura ou conservantes, mas não tem jeito em lugares onde você não tem a geladeira toda para você e não cabe a cozinha toda na caixa térmica.
Cozinhei bastante arroz fresquinho com cebola e alho, batatas com açafrão, frango e linguiça (tinha um mercadinho a 6km do lugar), mas inevitavelmente consumimos algumas outras coisas.
Existem alimentos enlatados em conserva, que podem ficar fora da geladeira até o consumo. O alto teor de sódio é um problema nesse caso, mas como foram poucos dias, aguentamos.
Os enlatados que levamos:
_ Carne bovina em conserva - abri uma lata no último dia. Achei o cheiro e o sabor muito fortes, não comeria isso em casa, mas na hora que a fome aperta...
_ Fiambre de frango - da mesma família da carne, mas não chegamos a abrir;
_ Seleta de legumes, milho e ervilha - misturei no frango e no arroz, em dias diferentes;
_ Salsicha tipo viena - daquelas coisas que a gente comia na infância e não consegue abrir mão;
_ Feijoada pronta - levei uma da marca Bourbon e gostei bastante;
_ Feijão em caixinha - levei da marca Quero. Já vem até temperado.
Ah, além dos enlatados em conserva, macarrão de olho pronto também foram ótimas pedidas.

Nosso almoço de domingo - feijoada

Esse fósforo gigante foi perfeito

IMPREVISTOS


Na verdade não é imprevisto, porque sabendo que dormiríamos ao ar livre já contávamos com muitas coisas. Mas enfrentamos dois dias de chuva, sendo um deles de tempestade mesmo, com direito a travesseiros molhados ao ponto de ter que torcer.
Aí não adianta, tem que ter calma, paciência, procurar se divertir com a situação e dar valor aos momentos de tranquilidade e à beleza do lugar.
As dicas aqui são:
_ Não deixe a barraca em baixo das beiras de toldos ou coisas que possam pingar. No nosso caso, a água da tenta ficou pingando em cima da barraca e infiltrando, até que descobrimos (bem tarde!).
_ Coloque capa ou uma lona por cima da barraca;
_ Se puder, coloque lona em torno de parte da tenda também;
_ É bom colocar lona em baixo da barraca, mas tem que levantar as pontas pra cima, para não empoçar água entre a lona e a barraca;
_ Proteja a caixa de fósforo da umidade, para não ficar sem;
_ Abuse da lanterna se chover, para desviar de sapo.
No penúltimo dia fomos ao centro da cidade, compramos lona e "envelopamos" a barraca. Nos preparamos para um dilúvio! Não caiu uma gota... kkkkk.

Mas se valeu a experiência? Valeu muito!
Voltei pra casa com vontade de ficar lá por mais um 05 dias... ou anos.

Último dia :(







quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Etiqueta no trabalho



Embora tenho falado bastante em meus últimos textos sobre saúde e alimentação, tem um assunto que eu considero bastante relevante dentro desse contexto de cuidado com a imagem, que é o comportamento das pessoas. Em qualquer ambiente, o comportamento e postura devem ser condizentes com a atmosfera do lugar. Quem vive ao "estilo Gabriela" - eu nasci assim, vou morrer assim - demonstra uma grande falta de respeito pelo colega ao lado e vai contra a realidade em que vivemos, em que as pessoas precisam conviver o tempo todo. Ninguém consegue viver numa bolha, sem contato nenhum com outra pessoa. E a partir do momento em que existe contato, deve existir um comportamento que ajude a tornar a convivência mais harmoniosa possível.

Tenho tanta coisa para falar sobre o comportamento das pessoas em público - assunto sobre o qual eu vivo me policiando e, ainda assim, cometendo gafes - mas hoje vou focar na questão do comportamento no local de trabalho, que é onde nós, pobres trabalhadores, passamos a maior parte dos nossos dias. Já parou para pensar em tudo o que acontece durante as oito horas (no mínimo) em que você passa ao lado de pessoas que até pouco tempo atrás eram desconhecidas? Agora, se dentro de casa, com a família, as regras precisam ser cumpridas para manutenção da paz e coletividade no ambiente, imagina só como precisa ser com aquelas pessoas que, de uma forma ou de outra, acabaram sendo obrigadas a conviver com você?

Pesquisei muito sobre o assunto e encontrei várias regrinhas bacanas que podem ajudar a orientar nossos comportamentos no ambiente de trabalho. Também me espantei com a quantidade de erros que cometo, muitas vezes sem perceber. Vou listar aqui algumas delas:

TELEFONE CELULAR

Ele aparece no topo da lista porque todo mundo tem um.
Nos dias atuais, com a evolução tecnológica, o celular virou acessório básico. As pessoas ficam focadas no aparelho o tempo todo, até a postura corporal está mudando por conta da posição braço-elevado-cabeça-baixa que ele causa. São inúmeros aplicativos e facilidades de comunicação.
Existem empresas que proíbem o uso do celular durante o horário de trabalho, e empresas que permitem até que o aparelho seja usado como ferramenta de trabalho, mas para tudo tem que ter bom senso:
_ MANTENHA O CELULAR EM MODO VIBRATÓRIO APENAS, OU SILENCIOSO - nada é mais chato que aqueles barulhinhos de mensagem chegando o tempo todo;
_ NÃO PROLONGUE AS LIGAÇÕES - se a empresa permite que você utilize o celular, pelo menos seja breve e deixe claro para a outra pessoa do outro lado da linha que você está em horário de trabalho;
_ ESTIPULE LIMITES: escolha alguns intervalos curtos durante o dia (máximo 10 minutos) para verificar suas mensagens e responder o que for urgente;
_ NÃO FIQUE OUVINDO VÍDEOS E MÚSICAS EM VOLUME ALTO: fone de ouvido manda lembranças;
_ NÃO FIQUE ENVIANDO MENSAGENS PARA OS COLEGAS: aquelas com áudios longos e vídeos que possam tomar tempo demais e causar distração. Dica pra vida, inclusive.

PRIVACIDADE

Em uma empresa todos estão trabalhando. Pelo menos é o que se espera.
Não seja o chato que fica interrompendo o raciocínio das pessoas. Observe, veja se a pessoa está ocupada, se possível avise que gostaria de falar e aguarde até que a pessoa te procure. Atrapalha muito quando a pessoa precisa se concentrar em alguma atividade e você a interrompe.

RESPEITE O ESPAÇO ALHEIO


Mesmo que não existam barreiras visíveis, como paredes ou baias, cada pessoa cria em torno de si uma atmosfera para trabalhar, composta de hábitos e necessidades básicas para executar sua função. Isso é necessário, principalmente em atividades que envolvem raciocínio, criatividade e contato com clientes.
Sabe aquele chefe que chega "do nada" do seu lado e vai falando o que precisa, sem nem saber se você está concentrado em alguma coisa? Ou aquele colega que te manda um e-mail e vem até a sua mesa te avisar que mandou o e-mail? Então, isso é uma tremenda falta de respeito com o espaço alheio. Mesmo que seja rapidinho, um segundo basta para que a concentração seja perdida e o trabalho tenha que recomeçar.
Dica: envie um e-mail ou uma mensagem adiantando o assunto e peça que a pessoa o procure para conversarem sobre isso.

MESMO O MELHOR EMPREGO DO MUNDO NÃO É A SUA CASA

A menos que você trabalhe em casa e sozinho, qualquer outro lugar compartilhado deve ser respeitado como tal: como compartilhado.
Naqueles momentos de descontração com os colegas, em que até o chefe participa, fique atento ao seu tom de voz, gestos espalhafatosos que possam provocar acidentes ou piadas de mau gosto que possam ofender alguém.
Não se esqueça de que existe um espaço a ser respeitado (vide tópico anterior) e pessoas que executam funções que exigem silêncio.

CUIDE DA SUA APARÊNCIA

Muitas empresas adotam o uso de uniformes como forma de padronizar sua equipe. Outras tem um estilo mais despojado, em que é permitido ousar um pouco no vestuário. Mas existem algumas regras importantes para não errar:
_ Roupas curtas ou decotadas: o chefe tem esposa, a chefe tem namorado, o cliente pode levar a mãe com ele em uma visita. Dar de cara com uma recepcionista com pernas à mostra ou um funcionário de camiseta regata mostrando o resultado alcançado na academia não é nada profissional;
_ Chinelo, sapato furado, calça suja, camisa amassada, barba desgrenhada, cabelo bagunçado, nada disso é apresentável diante de qualquer pessoa;
_ Mau cheiro é insuportável em qualquer lugar, principalmente um lugar que as pessoas tem que dividir com você o dia todo;
_ Boné só é aceitável se você for jogador de baseball. Em campo;
_ Perfume não substitui um banho, e cheiros fortes podem até causar crise alérgica em outras pessoas.

OBSERVE O QUE ACONTECE A SUA VOLTA

Eu amo trabalhar com música. Me embala, me motiva, me ajuda na concentração. E muitas vezes, na tentativa de terminar o que estou fazendo, aumento o volume para ouvir cada vez menos os sons externos. Até que percebo que as pessoas precisam vir até mim ou até mesmo me chamar por telefone, porque não escuto quando me chamam.
Chato né?
E também tem gente que batuca na mesa, fica batendo o pé no chão quando ouve uma música mais empolgante, deixa o volume tão alto que pode ser ouvido por quem está ao lado, canta, assovia...
Eu vou me policiar para não ser mais a alienada do fone de ouvido.
E você?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Água que embeleza


A descoberta dessa semana é essa água milagrosa, cheia de vitaminas e energia, com ação diurética e que faz um bem enorme para a pele.

Tudo graças às propriedades divinas dos ingredientes dessa garrafinha linda.

GELO: A água gelada faz com que o seu organismo trabalhe para equilibrar a temperatura, e isso dá uma aceleradinha no metabolismo.

PEPINO: tem propriedades diuréticas, o que faz bem para a pele. Tem muita água na sua composição, nutre e purifica as células. Tem fibras, é calmante e laxante .

LIMÃO: tem grande quantidade de vitamina C e possui ação desintoxicante, limpando o organismo.

GENGIBRE: potente termogênico natural, tem propriedades anti-inflamatórias e analgésicas (olha o alívio da enxaqueca aí!).

HORTELÃ: é calmante, ajuda a regular as funções digestivas, é rica em fibras dietéticas e contribui para os movimentos do intestino. Restringe o mau hálito e limpa a pele.

MANJERICÃO: tem ferro, propriedades anti-bacterianas, limpa a pele e refresca o hálito.

Uma das grandes dificuldades de consumir todas as vitaminas e minerais necessários diariamente é que ninguém aguenta comer tudo o que precisa, e ainda manter a forma. Além disso, o sabor de alguns alimentos não agrada a todos. Eu, por exemplo, tenho problema para digerir o pepino, e fico "batendo papo" com ele o dia todo, quando como.

Com a descoberta dessa água, que chamo carinhosamente de água benta (porque ela faz milagres), consegui consumir todos esse alimentos ao mesmo tempo em que bebo pelo menos dois litros de água por dia. O sabor fica suave, no segundo dia eu já me acostumei com ele, e é muito fácil de fazer.
Eu acertei uma quantidade de ingredientes que é suficiente para dois litros de água. Coloco tudo numa garrafinha de 800ml, deixo uns 20 minutos até pegar gosto, e cada vez que vou beber coloco meio copo dessa água e meio copo de água normal, para diluir e dispersar o sabor forte.

Faço assim:

_ Pego a minha garrafinha de 800ml (essa da foto, que tem boca larga) e coloco gelo. A quantidade de gelo dá 1/4 da garrafa. Ele não é obrigatório, mas pelo efeito sobre o metabolismo e por gelar a bebida mais rápido que a água gelada, eu prefiro.
_ Coloco um limão descascado e cortado em rodelas. Descasco bem, tirando aquela parte branca, pra não ficar amargo.
_ Um pedaço de pepino de uns 4cm, cortado em rodelas, bem lavado, com casca de tudo.
_ 4 rodelas de gengibre, de mais ou menos 0,5cm.
_ 10 folhinhas de hortelã e 10 de manjericão, lavadas.

Faço em camadas, colocando os ingredientes nessa ordem que listei acima. Espero cerca de 20 minutos e já começo a beber, misturando meio a meio com água pura, até completar 2 litros por dia.

Depois que comecei a beber, percebi uma frequência e limpeza muito maior da urina, sensação de pele mais hidratada e limpinha, ausência daquele peso no estômago depois das refeições, menos fome entre uma refeição e outra e, o melhor de tudo, nem um dia sequer com dor de cabeça (o que eu tinha todos os dias).

domingo, 22 de novembro de 2015

Sorvete de banana com apenas 1 ingrediente

Verão chegando e quem está de dieta sempre sofre. Eu tenho uma sorte imensa de não ser muito fã de doce, mas naquele calor de rachar, um sorvetinho sempre cai bem. Só que eu tenho uma leve intolerância à lactose e uma enxaqueca agravada sempre que consumo leite (eita, pessoa difícil!).

Mas meus problemas acabaram quando descobri um sorvete feito só com banana.
É sério!
Você só precisa de um processador e 6 bananas nanicas bem maduras (para duas pessoas).

Assim ó:
Descasque e pique as bananas e leve ao congelador por umas 5 horas.
Coloque metade das bananas no processador e vá pulsando até formar pedaços menores. Depois bata até formar um creme.
Tire e faça o mesmo com a outra metade.
Essa dica de fazer meio a meio é porque quando a banana vai formando um creme ela gruda nas lâminas e fica pesado, sobrecarregando o processador.
Depois é só voltar ao congelador por uns 15 minutos antes de comer.
Ah, as minhas bananas não estavam tão maduras e eu senti um gostinho meio amargo. Então use bananas bem maduras mesmo.

Eu acredito que não deve ficar muito bom se congelar de novo, porque perde a cremosidade.

Conversando com um amigo que gosta dessa receita também por ter intolerância à lactose, ele me disse que sempre faz com manga, e que no caso das bananas só da certo com a nanica que é docinha.

Cozinha é isso, gente! Criatividade e experimentação.

Olha a foto da delícia aí.
Fiz uma farofinha com 1/2 colher de chá de açúcar demerara e um toque de canela pra coloca por cima.


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Já cuidou de você hoje?

Uma das coisas que eu só entendi agora, depois consegui começar cuidar da minha saúde, é que o primeiro passo para tornar isso possível é entender que você precisa de um tempo pra você.
Eu sempre fui muito encanada com pontualidade, compromissos e o cumprimento das minhas obrigações. Não que agora eu seja uma pessoa desleixada, até porque considero a pontualidade uma coisa extremamente importante, mas passei a entender que podia reduzir um pouco da minha preocupação para o meu próprio bem.

Exemplo: entro às 9h no trabalho, mas gosto de sair de casa me programando para chegar antes das 8h30. Porque o ônibus pode atrasar, o carro pode enguiçar, o trânsito pode parar, porque quero ligar o computador e me atualizar das notícias do dia antes de começar a trabalhar... E se você refutar qualquer um desses motivos, terei vários outros na manga. Porém, se um amigo me pede para fazer um favor às 8h30 da manhã, eu paro tudo e faço, porque não vejo problema nenhum em chegar ao trabalho às 9h. Percebe como eu sou uma pessoa confusa, né?

O que eu quero dizer é que só consegui começar a me cuidar quando percebi que esse tempinho que eu só dedicava aos outros poderia ser usado a meu favor. E a partir de então ficou muito mais fácil me programar para preparar uma bela salada pela manhã para ter um almoço fresquinho no trabalho, fazer meus exercícios, caprichar na maquiagem e tantas outras coisas que eu deixava de lado ou fazia de qualquer jeito.

Quer começar a mudar de vida? Repare em todos os minutinhos do seu dia em que vocês faz coisas que não te ajudam - e provavelmente não ajudam ninguém - e converta em um tempo só para você. Use esse tempo para cozinhar com capricho, aprender uma música nova, ler uma página de um livro que seja, mas comece mesmo que seja aos poucos. Garanto que vale a pena.

E por falar em tempo, minha manhã hoje rendeu:

* Escolhi curtir 15 minutos de preguiça antes de sair da cama;
* Fiz todos os exercícios, desde o alongamento até a posição do japa, que eu detalhei nesse post aqui;
* Fiz essa salada linda e deliciosa (lá no final eu conto tudo o que tem nela)
Salada de beleza
* Tomei um café da manhã preparado com muito capricho (receita lá no final também);
Tapioca com queijo branco e peito de peru, suco e um punhado de goji berry
* Finalizei a minha sopa para o almoço.
Aquela que eu citei no post anterior, só que dessa vez reduzi a pimenta e coloquei manjericão fresco. Hummmm

E tudo isso naquele tempinho em que eu ficaria zanzando por aí, ou sentada em frente ao computador criando barriga.

Se eu não te convenci, espero ter colocado uma pulguinha atrás da orelha.
Até a próxima!


Receitas de hoje

Salada de beleza

Ingredientes:
1/2 xícara de grão de bico cozido
4 folhas de alface picadas
6 tomates uva cortados ao meio
2 colheres (sopa) de Quinua cozida
1 colher (sobremesa) de amaranto cozido
6 rodelas de pepino japonês picadinho
2 talos de brócolis cozidos no vapor
1 ovo cozido e picado
1/2 cenoura ralada

Modo de preparo:
Eu sei que deu preguicinha só de ler os ingredientes, né?
Mas vou contar vários segredinhos:
_ O grão de bico eu cozinho 500g de uma vez, separo em potinhos e congelo. Na hora de consumir, é só passar em água corrente ou uma água levemente morna se você tiver pressa.
_ Alface, pepino e tomate é só lavar e cortar
_ A Quinua eu cozinho 1/2 xícara e guardo na geladeira. Dá para a semana inteira.
_ 3 colheres de amaranto cru também são suficientes para a salada da semana toda.
_ O brócolis não dura tanto, mas eu costumo comprar na feira aqueles pacotes que jé vem com ele cortado, com uns 6 ou 7 talinhos, porque aí não estraga. Cozinho tudo de uma vez do jeito que ensina nessa tabela, e guardo na geladeira para usar por uns 3 dias.
_ Se não der para ralar a cenoura, pode lavar, descascar, e cortar do jeito que você preferir. Nessa salada eu coloquei crua. Como eu tenho processador em casa, sempre ralo duas cenouras de uma vez e congelo as porções em potinhos. Depois é só colocar na água para separar e escorrer.
_ Ovo e pepino sem segredo, né? Ovo cozido por 10 minutos e pepino lavado e picado cru. Eu cozinho logo 3 ovos e deixo na geladeira para usar.

Isso de cozinhar bastante e deixar pré-preparado é bom para eu me policiar. Se está mais fácil, tenho menos preguiça. E se está na geladeira tenho que comer para não estragar, porque tem muito tempo, dinheiro e gente passando fome envolvidos pra gente sair jogando comida fora.

Porque salada de beleza?


A Quinua é cheia de proteínas (mais que soja, arroz ou aveia) e ótima para os músculos. Além disso é boa fonte de Ômega 3 e Ômega 6, protegendo o coração. Tem maior teor de ferro que o feijão, cálcio para os ossos, fibras, vitaminas C e E, zinco (que reforça a imunidade) e sem glúten.
Para cozinhar, é só deixar de molho por umas 4 horas, escorrer a água, levar ao fogo baixo com água até um dedo acima do nível dos grãos e deixar cozinhar até secar, igual arroz.

O Amaranto é rico em proteínas, cálcio, ferro, fósforo e magnésio. Ajuda a regular a pressão arterial e o colesterol.
O grão é menor que o da Quina, e eu cozinho por 8 minutos, escorro a água e pronto.

Alface: é rica em vitaminas A, C, E e K, betacaroteno, pectina, fibra, lactucina, zinco, ferro, magnésio e potássio. Isso tudo serve para combater anemia, ajudar no metabolismo de proteínas, carboidratos e gordura, e anda funciona como sedativo natural para acalmar quem sofre com insônia e tensões.

Cenoura: rica em vitamina A, que age na defesa do organismo e ainda promove uma pele linda e saudável.

Pepino: tem muita água na composição e vitaminas que oferecem energia e fortalecem o sistema imunológico. É ótimo para a pele e trânsito intestinal.
Dica de ouro: se você exagerou na bebida alcoólica, comer algumas fatias de pepino antes de dormir podem te livrar da ressaca.

Tomate: rico em antioxidantes e vitamina C. Faz bem pra pele, reforça a imunidade e retarda o envelhecimento. Coloquei o tomate uva na salada porque é mais docinho, mas pode ser qualquer outro..

Ovo: tem carotenóides (que protegem a visão), tem proteínas e é um dos poucos alimentos que fornecem naturalmente a vitamina D. Além disso, ajudam no fortalecimento de unhas e cabelos, pois tem enxofre e várias vitaminas e minerais.

Grão de Bico: tem bastante proteínas, carboidratos, minerais, vitaminas e fibras. O que eu mais gosto é que não curto muito feijão, e ele faz bem o papel de substituto.


Café da manhã com tapioca e suco (quase) verde

Ingredientes da tapioca:
Goma de tapioca
Queijo branco
Peito de peru

Modo de preparo:

Ingredientes da tapioca:
Suco de 2 laranjas
Suco de 1 limão
Uma folha de couve
Um pedaço pequeno de gengibre (do tamanho de uma azeitona)
1 colher de farinha de linhaça
1/2 cenoura picada

Modo de preparo:
Bata tudo no liquidificador e coe, se preferir.
Eu chamo esse suco de "suco feio", porque ele fica feio mesmo. Mas é uma delícia.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O que acontece depois do primeiro passo?


Sobre alimentação saudável, atividades físicas e um pouco mais...

Não sei muito bem com quem estou falando neste momento, pois como deve ter dado para perceber pelo conteúdo do blog, não sou muito boa em manter uma rotina. Pouco mais de um ano depois de reativar esse blog - há muito tempo jogado às traças - larguei de lado outra vez.
Também não venho prometer uma grande frequência de postagens, mas vou tentar.


O que ocorre é que eu tenho uma dificuldade imensa em dar continuidade às coisas que começo, principalmente quando a única interessada/envolvida no assunto sou eu mesma. Se não tiver alguém pra me cobrar o resultado e vou deixando de lado até esquecer, por isso resolvi trazer meu novo desafio pessoal pra cá e compartilhar o diário da minha reeducação alimentar.

Já alerto que essa postagem ficou meio gigante, porque tem quase uma semana de dicas aqui. Mas assim que eu conseguir manter uma frequência, faço postagens diárias menores.

Antes de qualquer coisa, quero avisar que não sou nutricionista, nem educadora física, nem nada. Sou apenas uma pessoa acima do peso que resolveu tomar uma atitude, começar a se alimentar direito e mexer o corpitcho para uma vida mais saudável.

Reeducação alimentar não é dieta e não promove emagrecimento rápido. Me desculpe te frustrar, mas precisava te contar que não tem fórmula mágica nos próximos parágrafos. A reeducação alimentar te permite comer de tudo, mas de uma forma correta, sem ter que recorrer a remédios para emagrecer.

Mais um ponto importante: eu estou um pouco acima do peso, com os exames todos em dia, fazendo acompanhamento médico regularmente, tudo certinho. Meu último exame de sangue apontou uma taxa um pouco alta no colesterol, o que o médico me aconselhou a corrigir com alimentação equilibrada. Estou explicando isso porque é muito importante que nenhuma mudança na alimentação ou hábitos seja feita por conta própria, sem o conhecimento do seu médico e sem ter certeza de que não vai atrapalhar a sua saúde. Como disse antes, meu objetivo aqui - além de tentar eliminar uma barriguinha atrevida - é garantir minha saúde.


Esclarecimentos feitos, vamos lá...

O alerta surgiu quando precisei colocar biquíni para ir a um clube, no final de outubro. Eu sempre fui beeem magrinha. Para ter uma ideia, aos 22 anos eu pesava 43kg. Porém, o tempo passou, e cheguei aos 34 pesando quase 64kg, com 1,62m de altura. Pouco mais de um ano atrás meu peso não chegava a 60kg, o que já era para ter me alertado há bastante tempo, né? Até que eu fui colocar o biquíni para ir ao clube e ele ficou apertado. Coloquei outro (vai que aquele encolheu na lavagem, né?) e apertado mais uma vez. Fui com o biquíni apertado mesmo e voltei quase sem conseguir andar direito, porque o elástico machucou de verdade. 
Seria cômico, se não fosse trágico.

Ainda fiquei mais de uma semana pensando e tentando entender o que estava acontecendo (leia-se "em choque"), até que decidi dar o primeiro passo. Pesquisei milhões de coisas e acabei decidindo que ia buscar alternativas saudáveis para substituir tudo o que eu já comia durante o dia.


Minha situação atual é a seguinte:

1. Eu deveria pesar cerca de 56kg, mas como já tive esse peso acredito que uns 58kg seja uma boa meta;
2. Tenho Tireoidite de Hashimoto, que é uma doença autoimune, onde os próprios anticorpos atacam as células da tireóide e, em consequência disso, tenho Hipotireoidismo.Tomando a medicação direitinho, como tenho feito há mais de 8 anos, é uma doença com a qual dá para conviver, mas o sintoma que eu mais temia era exatamente o ganho de peso, e ele chegou. Se quiser saber mais, Dr. Drauzio Varella explica aqui.
3. Sou TO-TAL-MEN-TE sedentária. Até fui praticante de corrida um tempo atrás, mas um problema nos joelhos me fez parar de correr, o que na verdade é pura preguiça mesmo porque era só eu ter feito a fisioterapia e tomado a medicação prescrita pelo ortopedista, mas esse é assunto pra outro post.


E então, comecei assim:

*** Eu não me pesei antes de começar, até porque foi bem no estilo "é agora ou nunca", mas na minha última pesagem dois meses antes, me lembro do pavor que senti ao ver a balança marcar 63,8kg.***

Todas as receitas das comidas que vou citar aqui, bem como os vídeos de exercícios, coloco lá no fim do post.

1º dia - fiz uma sopa detox delícia: Era uma quarta-feira a noite, e fiz uma receita que dava para 4 porções.
Eu não me lembro muito bem onde vi essa receita, mas ela dizia que se a sopa for consumida durante dois dias, apenas no jantar, você pode emagrecer 1kg. Se consumida durante dois dias, no almoço e no jantar, pode ajudar a perder 2kg.
A receita eu coloco lá no final, mas lembra que eu falei que é importante fazer tudo direitinho e que não adianta perder peso rápido? Então, nada de ficar multiplicando aí na sua cabeça e resolver tomar sopa a semana inteira pra agilizar o processo.
Porque eu mereço um puxão de orelhas? como estava muito acostumada a comer besteiras, antes de tomar essa sopa eu comi um pacote de salgadinho que comprei no supermercado quando fui comprar os ingredientes.

2º dia: tomei um suco verde no café de manhã, com uma tapioca recheada com requeijão e uma fatia de queijo branco.
Cheguei no trabalho às 8h30 e tomei meia xícara de café. Ah, ponto pra mim! Já tomo café sem adoçar há quase dois anos.

No almoço, salada de alface, tomate e ovo cozido, e a sopa que eu tinha feito no dia anterior.
De sobremesa, duas fatias de abacaxi geladinhas.
Por volta das 16h, uma banana.

Mais no finalzinho do dia, por volta das 18h, me deu uma fominha de novo. Eu acho que é normal, porque é tudo muito novo ainda. Então comi uma ameixa e fui pra casa.
Jantei a sopa e um tabule de Quinua.

Porque eu mereço um puxão de orelhas? meu noivo e eu gostamos de tomar uma cerveja no final do dia. Fazemos isso pelo menos às quintas e sextas, umas duas ou três latinhas pra cada. E nesse dia não foi diferente. O problema é que junto com a cerveja devoramos meio pacote de amendoim temperado. Ou seja, me sabotei mais uma vez. :(

3º dia - sexta-feira: aqui eu acordei jurando que faria uma série de exercícios de um personal que eu vi no youtube. IMPORTANTE: eu pesquisei uma infinidade de exercícios e escolhi um semelhante ao que eu já tinha feito anteriormente, com orientação de personal de de fisioterapeuta.
Pois bem, levantei da cama, estendi o tapetinho e E.V.A. no chão, alonguei e aqueci.
Sei lá por qual motivo eu resolvi começar fazendo a prancha que ele ensina no vídeo. Consegui fica na posição por incríveis 5 segundos. Caí e dormi de novo, ali no tapetinho, por quase meia hora. Acordei assustada com a hora e fui tomar banho e me arrumar para o trabalho.
Suco verde no café da manhã, com uma tapioca recheada com requeijão e uma fatia de queijo branco e um punhado de goji berry.
No lanche de manhã, por volta das 11h, duas bolachas de água e sal e uma ameixa.

No almoço, a sopa (4ª porção) e o tabule de Quinua.
Lanche da tarde: banana picada com aveia.
Jantar: homus com pão sírio.

4º dia - sábado: final de semana é sempre complicado. Acordei, tomei um café puro e uma fatia de pão de milho. Esse hábito do pão precisa sair de mim.Fui à feira e comprei frutas, legumes, coisas saudáveis para a semana.
Passei com o noivo na casa da sogra e estava rolando uma mega preparação de um almoço com panquecas. :S

Almocei uma panqueca de carne moída e 1/2 de queijo e presunto que roubei do prato da cunhada + uma colher de arroz e um pouquinho de feijão.
Por volta das 17h, comi pipoca. Pode me julgar. Mas segundo estudos recentes, a pipoca preparada na panela, com pouco óleo e sal, até faz bem para a saúde mas, enfim, vou admitir que errei aqui.
Jantar na casa de amigos, para comemorar um aniversário: levei homus e kibe assado, mas também comi a pizza que tinha lá. E bebi cerveja.


5º dia - domingo: café sem açúcar + duas fatias de pão de milho com queijo branco mo café da manhã.
Almoço de domingo nunca dá para ser light, mas eu poderia ter me esforçado mais, já que tinha abusado e muito no sábado. Fiz canelone de abobrinha, porque tinha visto uma receita e estava doida para experimentar.
Dei uma bela cochilada depois do almoço.
Tomei um copo de suco de chia, por volta das 16h.
Lá pelas 20h, comi uns pedaços de pão sírio com homus que ainda tinha.
Estava tudo bem, até que o noivo lembrou que tinha comprado pão australiano e geleia de pimenta, que eu amo.
Comi 4 fatias pequenas do pão com geleia e uma taça de vinho.

Pelo domingo, eu merecia puxões em 20 orelhas, se eu tivesse.
Maaaaas, consegui fazer toda a série de exercícios logo que acordei. Ponto pra mim!
Comecei com esse alongamento.

Depois fiz esse treino de queima de gordura para pessoas sedentárias.
E encerrei com essa técnica de um médico japonês muito louco.
A noite, antes de dormir, repeti a técnica de 5 minutos do japa.


Hoje é segunda-feira, 6º dia da minha nova vida.
Não fiz os treinos hoje de manhã porque estava com o corpo um pouco dolorido. Acho que, por ser muito sedentária, é normal e é melhor ir aos poucos.
Eu sei que fiz muita coisa errada nos primeiros 5 dias, mas foi justamente por isso que eu resolvi resgatar o blog e começar esse diário.
Vou continuar pesquisando, cuidando da alimentação, e contando as descobertas aqui. 
No final, pode sair algum resultado bem bacana.

Meu peso, hoje de manhã: 63,1kg.
E contando...

Ah, as receitas!


Sopa Detox de Inhame:

Ingredientes:
2 inhames descascados
1 cenoura
1 tomate
1 abobrinha
1 xícara de couve picada
1 pedaço pequeno de gengibre (mais ou menos do tamanho de uma azeitona)

Modo de preparo:
Coloque todos os ingredientes picados numa panela de pressão e cubra com água até o nível de dois dedos acima.
Depois que pegar pressão, cozinhe por 20 minutos.
Espere sair a pressão, abra a panela e deixe esfriar um pouco para bater no liquidificador sem trincar o copo.
Refogue alho e cebola e pouquinho azeite e acrescente a sopa batida no liquidificador. Experimente e ajuste o sal.

A cenoura deixa a sopa um pouco adocicada. Como eu gosto de pimenta, e ela tem efeito termogênico, coloquei uma quantidade que deu uma balanceada nesse sabor adocicado.


Suco Detox:

Ingredientes:
Suco de duas laranjas
Suco de um limão
Uma maçã picada
Um pedaço de gengibre pequeno, ralado
Um punhado de couve
Uma colher de farinha de linhaça
200ml de água

Modo de preparo:
Bata tudo no liquidificador, coe, e beba.
Se referir, coloque duas pedras de gelo.



Tabule de Quinua:

Ingredientes:
1 xícara de chá de Quinua em grãos
Pepino japonês
1 tomate comum ou 8 tomates uva
1/2 xícara de folhas de hortelã
2 colheres de azeite
1 limão
Sal a gosto. Eu uso o Sal do Himalaia

Modo de preparo:
Coloque uma xícara de Quinua de molho por 4 horas.
Escorra a água e coloque em uma panela cobrindo com uma nova água até o nível de um dedo acima da quantidade de Quinua.
Deixe cozinhar como arroz, até secar a água, tomando cuidado para não queimar.
Espere esfriar.
Junte meio pepino japonês, tomate (se for o tomate comum, tirar a semente) e hortelã, tudo bem picadinho.
Tempere com o limão espremido, o azeite e um pouquinho de sal.
Misture bem.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Descobertas




Ela nunca gostou de dormir de conchinha. Mas descobriu a linha tênue que separa o cuidado do sufocamento, e agora ela ama.

Sempre achou exageradas as fotos e declarações de casais em redes sociais, como se fossem dependentes um do outro para tudo. E ela odeia dependência. Mas descobriu que, na verdade, acha fofo. Descobriu que, no fundo, sentia certa inveja desses casais que exibiam uma felicidade que ela tanto queria pra si.

Ela dizia que não queria se casar. Mas outro dia parou pra pensar que já quis, e muito. Mas abafou o desejo por julgar que nunca encontraria alguém que quisesse também. Ela não gosta de sofrer, e achou melhor cortar as expectativas.

Ela ama declarações, frases encaixadinhas na hora exata, palavras perfeitas ao final de um silêncio de olhos nos olhos. Mas nem sabia que isso ainda existia.

Ela descobriu que não dói nada dividir o espacinho no banheiro com outra toalha ou escova de dentes. Foi além, abriu caminho, e descobriu que certas divisões multiplicam.

E de tanto descobrir, não vai parar mais.

Vai aprender a dividir o cobertor, o travesseiro, a vida, se preciso for.


Vai abrir espaços nas gavetas que trancou (as do armário, e do coração), porque sabe que, no fundo, nunca desistiu do amor. Só está esperando o cara certo. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Por que as pessoas se casam?

Vovó dizia que não queria se casar. Eu nunca entendi muito bem essa história – confesso que nunca tive talento para questionar, minha curiosidade sempre foi mais investigativa que questionadora, e investigações sempre são dificultadas pela minha preguiça – mas ela que, quando se deu conta, estava casada.

Minha avó teve sete filhos. Separou-se do meu avô bem antes de eu nascer, e contava como foi difícil criar minha mãe e os seis irmãos. Ela falava pouco, mas quando o assunto era casamento, não poupava palavras. Eu sempre a ouvia contar como seu casamento havia sido terrível, como meu a avô a havia deixado sozinha com toda a responsabilidade da casa e dos filhos, e por que eu não deveria me casar.

Um a um, minha avó enumerava os problemas de seu casamento: “ele não me ajudava com as despesas da casa”, “não ajudava a educar as crianças”, “era muito violento com os filhos”, “eu tinha que fazer tudo sozinha”. Não importava quantos problemas ela nos contasse, eles sempre eram de ordem material. Eu nunca a ouvi dizer que sentia falta de carinho, companhia e atenção. Do ponto de vista dela, casamento era uma união para as pessoas dividirem problemas.

Minha mãe também tem umas “considerações” nada simpáticas sobre o casamento. Ela e meu pai ainda vivem juntos – sobrevivem, eu diria – mas eu me lembro de ter presenciado muitos momentos românticos durante minha infância. Então eu sei que se casaram por escolha e, a seu modo, foram felizes. Mas quando ela fala sobre ele, sempre vejo os traços da minha avó. Minha mãe sempre reclama que meu pai não a leva para sair, não troca o botijão de gás quando, não conserta o vazamento da torneira, não dá um jeito nas infiltrações das paredes... e sempre completa com: “Não casem, meninas! Não sei porque eu casei.”

Apesar de tudo, fui uma adolescente muito romântica e sonhadora. Achava que quando encontrasse o homem da minha vida uma luz branca nos iluminaria como nos filmes e seríamos felizes para sempre, acordando abraçadinhos de manhã, e planejando juntos cada detalhe do dia. Ou seja, nada do que vovó dizia funcionava comigo. Mas os anos foram passando e me transformei completamente. Ainda sou romântica, mas meu romantismo é puramente reflexo do que recebo. Não sonho mais com uma casinha branca, cheia de flores na janela e cheirinho de café pela manhã. Crio expectativas todos os dias, mas quando anoitece eu penso na probabilidade de que elas se tornem realidade e qualquer avaliação abaixo de 80% me faz desistir. Não é pedir muito. É saber que posso escolher ser feliz.

Passei tantos anos tentando não ser como minha mãe e minha avó, que adotei um padrão de qualidade que tento seguir sempre. Nesse padrão, o cara não tem que atender minhas expectativas, mas tem que demonstrar o quanto está disposto a compartilhar comigo. Compartilhar qualquer coisa que vá além – muito além – do que mamãe e vovó consideravam que seria necessário num casamento. Eu me viro sozinha, me cuido sozinha, vou ao supermercado, conserto vazamentos, instalo chuveiros, monto móveis, troco o botijão de gás, pago minhas contas. Por isso, não procuro alguém complete, e não apenas satisfaça minhas necessidades cotidianas.

Quero alguém que me acompanhe, mas que também me leve pra sair.

Quero um cara que conserte a gaveta quebrada do armário, mas que ache um máximo chegar em casa e ver que consegui fazer isso sozinha porque vi primeiro.

Espero encontrar alguém que entenda que eu também trabalhei o dia todo e vou chegar em casa com fome, mas que valorize a forma como eu consigo dar conta de várias coisas ao mesmo tempo e também tente fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Quero alguém que me convença a ficar na cama até tarde, no sábado, curtindo uma preguiça boa, mas que compartilhe comigo aquela faxina que não pode ficar para depois.

Quero alguém que saiba desorganizar minha vida, e organizar tudo de novo, só pra me mostrar que tudo pode ser lindo mesmo não sendo do jeito que eu faço.

Procuro um homem que me faça sentir que sou mulher, e não uma doméstica atarefada ou uma princesinha delicada.

Quero alguém que some, não que divida comigo.


E se um dia eu tiver que dizer aos meus filhos porque me casei, que seja porque encontrei esse alguém.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Quando você chegar

Venha devagar. Sou sensível.  Me assusto com paixões instantâneas. Não acredito na firmeza daquilo que não tem alicerces.

Me deixe saber que está chegando. Ou que há interesse em chegar.  Não costumo esperar muito por algo que não sei se vem.

Mantenha os pés no chão.  Você vai precisar,  para me puxar de volta.

Respeite meu espaço.  Gosto de dividir minhas coisas,  mas odeio a sensação de vê-las tiradas à força de mim.

Não seja disponível,  apenas acessível.  Me diga não,  quando precisar.
                                                           
Seja claro. Me diga o que sente, ou vou achar que você não sente. E não faça promessas que não tenha a intenção de cumprir.

Me deixe saber que você se importa comigo. Me dê a segurança de que não fui esquecida na correria dos seus dias.

Se sentir que te quero por perto, não me espere chamar.  Venha. Entre. Demonstre que mal consegue me esperar dar a volta na chave para um beijo de tirar o fôlego.  Fique tranquilo, se eu não quiser você vai saber.

Venha.  Simplesmente venha. Fique, se eu pedir (até porque só vou pedir se eu realmente quiser que você fique). Abuse dos momentos em que me encontrar desarmada.  E se imponha para baixar minha guarda, quando achar necessário.

Jogue seus sonhos na mesa. Se eu gostar,  vou juntar os pedaços e te ajudar a realizá-los.

Quando você chegar... Apenas chegue.
Faça acontecer.  Só assim você saberá se quero fazer valer a pena. E - acredite - se eu quiser, garanto que vai valer muito.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sim, eu tenho preconceito

Eu sempre me orgulhei do fato de me considerar uma pessoa totalmente livre de preconceitos. Nunca entendi porque raios as pessoas tem que apresentar pessoas usando nome e pedigree, tipo: "aquele é fulano, ele trabalha comigo e é gay". Ou "tenho uma amiga negra, que é muito linda". 

De verdade, não enxergo diferença nenhuma, e acho uma tremenda de uma baboseira quando as pessoas usam essas denominações para mostrar como são descoladas e convivem com todas as diferenças.
Como se negros, gays, ateus, pobres não fossem gente como a gente, cagando pelo mesmo lugar e destinados ao mesmo buraco sete palmos abaixo da terra quando todo o espetáculo desse circo que chamamos de vida chega ao fim.

Mas tenho andado tão impaciente ultimamente que descobri que não sou tão livre de preconceitos assim. Pelo contrário, descobri que tenho um preconceito enorme com gente burra.
E antes que você pense que não gosto de gente que não teve oportunidade de estudar na vida, que mal sabe ler ou escrever, ou que não tem condições de acesso à educação, saiba que não é desse tipo de gente que estou falando. 

Gente burra é outra coisa.

É gente que prefere passar seu tempo lendo notícia trágica no jornal do dia, ou fofoca nas capas de revista das bancas, que decora todas essas histórias de vida alheia para contar por aí e não se dá nem ao trabalho de prestar atenção no que leu para, no mínimo, saber escrever corretamente.

Gente burra é gente que passa o dia inteiro conectado, vasculhando vidas em redes sociais, avaliando roupas da moda e compartilhando tudo o que encontra por aí, sem ao menos pensar em usar o Google para verificar se as palavras que colocou no comentário estão escritas corretamente.

É gente que convive com tudo quanto é tipo de gente, tem acesso a diferentes formas de se vestir ou se comportar, mas não lhe ocorre a mínima curiosidade de saber o que fica bem e o que não fica para determinada ocasião. E não estou falando de observar e seguir a risca o tal do dress code - até porque ele não ensina o que usar numa mesa de boteco no happy hour no fim da tarde -, mas de demonstrar uma preocupação, mesmo que mínima, com o que o lugar exige. Ou com quem está junto. E olha que eu não estou falando de moda, porque nem entendo nada disso e confesso que até erro muitas vezes. Mas tento sempre demonstrar que me preocupo em ser uma companhia agradável e, sim, a roupa demonstra grande parte disso. Ou alguém aí acha que é agradável ir ao teatro com a camisa do time do coração?

Gente burra é gente que passa dias, meses, anos reclamando da sua profissão, do chefe, do mercado, do salário, mas não levanta o traseiro do lugar para procurar outro emprego.

É gente que acha normal falar alto ao telefone, mascar chiclete de boca aberta, gritar na janela pro outro vizinho ouvir, soltar pum na frente das visitas, buzinar dentro do condomínio (seja a hora que for), arrastar os móveis a noite sem se importar com o vizinho do apartamento de baixo, comer desenfreadamente se importando apenas com a própria fome e não com as outras pessoas.

Burrice é não se importar. É não se preocupar com o outro. É achar que todo mundo tem que te engolir, e pronto.
Gente que não se importa com nada, não presta atenção em nada. E quem não presta atenção não aprende.
Gente que acha que tem ser o que é em qualquer lugar é uma das coisas mais deprimentes que existe. Você pode ser você mesmo e, mesmo assim, ter o mínimo cuidado em se adaptar aos lugares e situações.
Basta se importar. Basta se preocupar em ser uma companhia agradável, uma visita que as pessoas gostem de receber, alguém com quem as pessoas gostem de sair.
Observe, veja como as pessoas agem, ajuste o tom. 
Seja feliz como você sempre foi, mas sem precisar falar alto se perceber que as pessoas ao seu redor não falam.
Sinta-se a vontade com as roupas que gosta de usar. Isso quer dizer que você pode cuidar para não se sentir o patinho feio no meio de todo mundo.
Escreva coisas que as pessoas gostem de ler - e entendam.

Seja lembrado por acertar. Ou, pelo menos, por tentar acertar.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Intimidade é de dois

Afinidade é aquilo que te faz sentir vontade de criar, desenvolver os outros sentimentos.

Intimidade é o que te torna capaz de entender, aceitar e melhorar sempre aquilo que você sente.

Afinidade gera desejo. O desejo te faz ir em frente e fazer aquilo que te deu vontade na hora. Mas é a intimidade que vai te dar segurança para olhar nos olhos depois, sorrir, estar seguro, e querer de novo.

Afinidade te faz sentir saudade, te faz querer parar o mundo, largar tudo, e sair correndo para ficar com a pessoa. Mas é a intimidade que te dá vontade de continuar lá, que te faz ter certeza de que não era só curiosidade, ciúmes, desconfiança... de que era vontade de estar junto mesmo.

Afinidade te aproxima da pessoa. Intimidade te faz ter vontade de fazer planos com ela, de pensar junto, de transformar desejos individuais em um só.

Afinidade te ajuda a lembrar de nomes de pessoas que poderiam estar com você em determinado momento. Intimidade te faz ficar repetindo mentalmente o nome de uma pessoa e conseguir criar formas de encaixá-la em todos os momentos da sua vida.


Intimidade é recíproca, não tem como errar. Ou é pros dois, ou não tem.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Tudo novo, de novo!

Até aquele momento, a vontade era voltar no tempo, pedir à minha mãe que me colocasse de volta no berço, ou ao meu pai que me pegasse pela mão e me ensinasse novamente os primeiros passos. Era tudo tão bonito e simples naquela época, até o tempo passar e ir destruindo tudo.

É impressionante como nos deixamos machucar tanto, a ponto de estar num lugar lindo e colorido, mas com o coração tão negro quanto nuvens carregadas em dia de tempestade. E até chegar ali, era assim que eu me sentia.

O carro cortando a estrada, reduzindo em cada curva ou acelerando ao máximo nas retas, só me fazia deixar pra trás essa coisa escura que escorre da dor e do medo. Eu sentia o cheiro da vida se aproximando, e os carros de trás atropelavam as pedras que eu ia tirando de dentro da alma e jogando pra fora da janela.

O tempo passava devagar demais para quem só queria chegar e enterrar na areia toda a podridão que tinha dentro do peito. Enfim, cheguei. Encontrei a praia mais distante, com o mar mais profundo e joguei tudo lá. 

Fiquei olhando atentamente, até ter certeza de que aquele barril de pólvora havia afundado e nunca mais poderia explodir e machucar ninguém, nem a mim.

A última bolha sumiu. E os fogos acenderam no céu.

Feliz Ano Novo!